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Quinta - 23 de Novembro de 2017
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O INFERNO DE ABU GHRAIB

Por: Ivan de Carvalho Junqueira

    Foram muitas as atrocidades então cometidas na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, algumas delas indescritíveis, desde torturas e lesões corporais, passando por abusos sexuais, a despeito das não menos graves insinuações a humilhar todos aqueles que por ali passaram e que, ao presente instante, ainda sofrem com as agruras de um sistema absolutamente fora da lei. Num dos inúmeros castigos perpetrados, utilizou-se da “forca palestina”, amarrando-se as mãos do prisioneiro atrás das costas e, depois, levantando-o pelos punhos, sendo apenas mais um dentre os diversos métodos aplicados, levando a óbito um dos detentos, Manadel al Jamadi. Tempos depois, foram divulgadas as fotos, podendo-se constatar, ademais disto, o sadismo do soldado a fazer, com satisfação, o sinal da vitória sobre o corpo já congelado. Contudo, tal amostragem parece não ter sido suficiente, de maneira que com o passar dos meses, inúmeros outros casos continuaram a ser relatados. Em Tikrit, ao norte do Iraque, um dos presos acabou sendo brutalmente espancado a golpes de bastão quão os de beisebol, ameaçado, no mais, pela mira de um revólver introduzido em sua boca. As violações aos direitos humanos, porém, não se limitam apenas àquele país, verificando-se uma série de abusos, notadamente, em presídios sitos no Afeganistão, assim como o primeiro, sob a dominação estadunidense.

            O que mais impressiona é a tranqüilidade com que norteamericanos implementam tais atos, vindo a ressuscitar muitas das condutas dignas do período medieval, à recepção, mutatis mutandis, de verdadeiros e não menos tenebrosos suplícios vide os escritos do filósofo Michel Foucault. A vida humana, à visão deles, carece de sentido. Em uma dada palestra assinalou, de forma absurda, um militar: “É divertido atirar em certas pessoas!”. E o que é pior: sob o aplauso de muitos que com ele, certamente, compartilham deste entendimento.

            O assíduo desrespeito dos Estados Unidos para com os direitos humanos, obviamente, nunca foi segredo, bastando consultar qualquer manual de História para que se veja a atuação dos mesmos quando da efetivação das ditaduras latino-americanas, por exemplo, ao patrocinar o autoritarismo. Ainda hoje, são rechaçados vários acordos, em especial, concernentes à tutela do meio ambiente, ademais de políticas então tendentes à desmilitarização. Neste diapasão, há que se perguntar: Quem é o verdadeiro terrorista? Em 1996, durante uma entrevista da então secretária de Estado, Madeleine Albright, para um programa de TV americano, perguntou-lhe um repórter: “Ouvimos dizer que meio milhão de crianças morreram. É um preço que vale a pena pagar?”. E, sem qualquer pesar, aquela respondeu: “Eu acho que é uma decisão muito difícil, mas o preço - acreditamos que vale a pena pagá-lo”.

            A nefasta intervenção defendida, hoje, por Bush, não se restringe, evidentemente, tão-somente às prisões, atingindo, também, diversas outras cidades do Iraque e países do Oriente Médio. Veja-se o massacre em Faluja com suas centenas de mortos sendo enterrados em valas comuns. A referida política não poupa sequer crianças e mulheres que, quando não morrem, se tornam órfãs ou viúvas, por não raras vezes, deficientes. Outras informações dão conta de que os índices de desnutrição aguda em crianças de até cinco anos de idade saltaram de 4% à égide do regime de Saddam Hussein para, aproximadamente, 7.7% no penúltimo trimestre do ano de 2004 (www.carosamigos.com.br, 31.03.05), fruto, em grande parte, das muitas sanções implementadas pelo governo dos EUA no que se refere ao envio e conseguinte fornecimento de suprimentos médicos básicos assim indispensáveis à população.

            Em mais um de seus “brilhantes” discursos, a 29 de janeiro de 2002, de maneira a tentar justificar o injustificável, disse o presidente: “Esta guerra tem um alto custo. Gastamos mais de um bilhão de dólares por mês - mais de 50 milhões por dia - e devemos nos preparar para operações futuras. Com o Afeganistão, provamos que armas de grande precisão, ainda que caras, derrotam o inimigo sem atingir vidas inocentes, e precisamos de mais. É necessário substituir os aviões obsoletos e dar mais agilidade ao exército, situar nossas tropas em qualquer parte do mundo com a maior rapidez e segurança... Meu orçamento inclui o maior aumento no gasto com a defesa das duas últimas décadas... e, embora o preço da liberdade e da segurança seja alto, nunca é alto demais. Pagaremos o que for necessário para defender nosso país”. E, outra vez, aplausos!

            Como bem enfatizado pelo historiador Eric J. Hobsbawn, “...o 11 de setembro provou que vivemos todos em um mundo no qual um único hiperpoder global finalmente resolvera que, a partir do fim da União Soviética, não há limites de curto prazo para seu poderio nem para sua disposição de utilizá-lo, embora os objetivos de seu uso não sejam nada claros - exceto a manifestação de sua supremacia. O século XX terminou. O século XXI começa com crepúsculo e obscuridade” (Tempos interessantes: uma vida no século XX. Trad. S. Duarte. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 448).

            Torna-se premente, por assim dizer, deslocar-se o ser humano da simples condição de coadjuvante deste grandioso processo para o seu devido lugar. Do contrário, a força bélica e o capital sanguinário teimarão por imperar.

 

            Ivan de Carvalho Junqueira, 24, é bacharel em Direito

            ivanjunqueira@yahoo.com.br

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