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Sexta - 24 de Novembro de 2017
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João – Apenas João

Por: Júnior Barreto

 

 

O quanto efetivamente enxergamos do que vemos?
Será que nos atentamos a todos os detalhes
expostos à frente de nossos olhos? O quanto de tudo isso passa despercebido porque não reconhecemos?

A cegueira humana afeta a todos. De inúmeras formas somos inseridos neste contexto de alienação.
Seja com os escândalos deflagrados no governo, com um negócio não bem sucedido ou de uma relação humana mal resolvida. As formas de manipulação, utilizando a estratégia de persuasão são várias.
Recentemente o cenógrafo Osvaldo Gabrieli realizou uma exposição no sesc Pompéia sobre a ilusão da verdade.
Retrata os diversos caminhos criados pela nossa mente que são capazes de manipular o que vemos, nos conduzindo a uma realidade inexistente.
O escritor português José Saramago em seu livro "o ensaio sobre a cegueira" nos diz sobre a caverna de Platão. Condiz em um aprisionamento dos seres humanos, em que ficam com pernas e pescoços algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e olhar para frente não podendo girar a cabeça para trás e nem para os lados.
Boris Fausto, professor da Usp, em seu livro História Concisa do Brasil diz sobre a chegada dos portugueses na então terra nativa habitada pelos índios chamada de Vera Cruz. Por nunca terem visto um navio, foram incapazes de enxergar as embarcações que se aproximavam em terra firme. Somente após dois dias, um índio, de tanto insistir em olhar para o mar, consegue visualizar as embarcações e mostrar aos demais, fazendo com que vejam.
Podemos caracterizar determinada "invisibilidade" com o que acontece com quem não tem identidade social, como os marginalizados, sem abrigo, que ficam “vagando" pelas ruas da cidade.
O estresse da vida cotidiana em São Paulo - coração econômico do país - não permite que nos atentem a esses detalhes. Imperceptíveis aos nossos olhos devido à velocidade em realizar as atividades do dia-dia.

 

No ano 2000, o censo Fipe/SAS/PMS contabilizou 8.706 moradores de rua, sendo 5.013 nas ruas e 3.693 albergados; a maior parte deles está nos distritos da região central como a Sé e República.

 

Na ponte João Dias, localizada em Santo Amaro, podemos identificar tal cegueira. Passam por ali diariamente milhares de veículos e pedestres que, alienados ao condicionamento da sobrevivência obtida através da força de trabalho, parecem não enxergar a situação desumana que ali ocorre.

Vive ali João. Um senhor desolado e solitário, de poucas palavras e consciência perturbada. Apenas João.

João sentado na grama               foto por Júnior Barreto

  

Segue a vida olhando passivamente para a avenida em sua frente que se move ao caminho do Centro Empresarial. Observam os carros, as pessoas que por ali passam. Muitas apressadas, outras nervosas, impacientes.
Assim João vive a vida. Observando o mundo que passa apressado a sua frente.

Ao falar com João ele apenas sorri e nada diz, a não ser algumas palavras desordenadas. Deitado em posição de descanso com o corpo na grama, debaixo das árvores que fazem parte de sua casa a céu aberto.
A moradia é feita com uma lona amarela, improvisada com uma estrutura de pequenas madeiras.
Um frágil material que forma a sua casa, assim como a própria condição de sua vida.

 

 

O número desses moradores na região central da cidade pode ser explicado pela grande circulação de pessoas existente, decorrente da maior oferta de serviços, ônibus, comércio, etc., fazendo com que o número de doações, fonte de sobrevivência dessa população, seja um fator atrativo.

 

Casa improvisada de João          Foto por Júnior Barreto

 

Até quando seremos condizentes com a manipulação que sofremos em nossas vidas?
Até quando permitiremos que as nossas ações sejam direcionadas aos interesses individuais que favorecem meia dúzia de pessoas enquanto a maioria passa fome, frio, não têm direitos e muito menos a possibilidade de se tornar um cidadão.

 

A análise dos dados de mortalidade para o Brasil em 2002 mostra que os acidentes e violências (causas externas) ocuparam o terceiro lugar na mortalidade geral, com 12,9% dos óbitos, percentual bastante próximo da segunda causa, as neoplasias. Entre elas, os homicídios predominaram com 39,3% do total. Este padrão difere do verificado nos países desenvolvidos, onde são os componentes não intencionais (acidentes de transporte, quedas e outros) que preponderam na mortalidade por causas externas. E mesmo entre as violências, os suicídios apresentam maiores taxas que os homicídios.


Que possamos olhar com atenção e sabedoria ao sistema econômico que direciona os nossos passos e conduz a nossa vida. Trata-se de um capitalismo imperialista, imposto pela cultura americana e absolvido pelo nosso país. Um sistema que visa realizar todas as ações baseado na lei da oferta e da procura.
Virando as costas e fechando os olhos ao que nos é essencial, conduziremos toda a sociedade novamente a um lado obscuro:  como a caverna de Platão.
Não podemos admitir que nos tornemos uma sociedade formada por cidadãos melindrosos, fragilizados e incapazes de questionar a própria razão de ser, de existir, da condição social, vivendo em um estado de inércia, deplorável e vegetativa em que a única solução é aguardar passivamente o dia da própria morte.

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