artigos acontece nossa arte humor dialeto o comédia & o truta histórias para refletir
Sexta - 24 de Novembro de 2017
COLUNISTAS 
@ SANDRA LOURENÇO
@RR RODRIGUES
Ademiro Alves (Sacolinha)
Alberto Lopes Mendes Rollo
Alessandro da Silva Freitas
Alessandro Thiago da Silva Luz
Alexandre M. O. Valentim
Ana Carolina Marques
Antony Chrystian dos Santos
Carla Leite
César Vieira
Cíntia Gomes de Almeida
Claudia Tavares
EDSON TALARICO
Eduardo Souza
Elias Lubaque
FAEL MIRO
Fernando Alex
Fernando Carvalho
Fernando Chaves dos Santos
Flávio Rodrigues
Garoto Loko (IT)
Gisele Alexandre
Henrique Montserrat Fernandez
Ivan de Carvalho Junqueira
Jack Arruda Bezerra
Jean Jacques dos Santos
João Batista Soares de Carvalho
João Henrique Valerio
JOEL BATISTA
Jonas de Oliveira
Jose de sousa
Júnior Barreto
Karina dos Santos
Karina dos santos
Leandro Carvalho
Leandro Ricardo de Vasconcelos
Leonardo Lopes
Luiz Antonio Ignacio
Marcelo Albert de Souza
Marco Garcia
Marcos Lopes
Maria de Moraes Barros
massilon cruz santos
Natália Oliveira
Nathalia Moura da Silva (POIA)
NAZARIO CARLOS DE SOUZA
NEY WILSON FERNANDES SANTANNA
Rafael Andrade
Rafael Valério ( R.m.a Shock )
Regina Alves Ribeiro
Rhudson F. Santos
Ricardo Alexandre Ferreira
Rodrigo Silva
Silvio Gomes Batisa
Sônia Carvalho
Teatro nos Parques
Thiago Ferreira Bueno
Tiago Aparecido da Silva
washington
Wesley Souza
Weslley da Silva Gabanella
Wilson Inacio

APOIADORES 


Todo o conteúdo do portal www.capao.com.br é alimentado por moradores e internautas. As opiniões expressas são de inteira responsabilidade dos autores.


Do outro lado da linha!

Por: Júnior Barreto

 “Nosso dia vai chegar, teremos nossa vez, não é pedir demais: Quero justiça, quero trabalhar em paz. Não é muito o que lhe peço, eu quero um trabalho honesto, em vez de escravidão”. Renato Russo.

Possuo um trabalho honesto, assalariado, com pagamento todo dia 25, além dos benefícios e participação nos lucros. Tudo o que uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil (é o que dizem as revistas especializadas) pode oferecer a um trabalhador. Mas, tudo o que os trabalhadores recebem como resultado do “aluguel do corpo” ao empregador são exclusivamente vantagens? A remuneração é suficiente para preencher todos os campos da vida dos trabalhadores?

A remuneração nada mais é do que a moeda de troca pela mão de obra de um trabalho exercido. Da mesma forma, como também deveria ser encarado um possível problema de saúde relacionado ao exercício desta atividade. Porém, estamos diante de um fato que raramente é assim interpretado e assumido pelo empregador.

O trabalho do telemarketing, além da remuneração, também me acarretou um problema de audição, com déficit de 25 decibéis, o que provoca, constantemente, dores de ouvido, algo que não existia antes do telemarketing. Segundo a médica do trabalho, em uma avaliação feita periodicamente, esta é uma quantidade de decibéis dentro do normal, não se trata ainda de uma perda auditiva. Porém, a debilidade em 30 ou mais decibéis já é considerado como perda de audição, e também irrecuperável. O doutor em violência do trabalho e médico da Unifesp Dr. Herval Pina Ribeiro, diz que os ouvidos não foram feitos para serem “abafados” por aparelho nenhum, como o que ocorre aos operadores de telemarketing, que diariamente são obrigados a utilizar aparelhos de head-set (fone na cabeça) por, pelo menos, seis horas.

Há uma orientação feita pelos médicos do trabalho para que o aparelho seja alternado entre os ouvidos de hora em hora, já que o fone permanece em apenas um dos ouvidos. Mas, isto não é suficiente para suprimir o problema. Também há centrais de atendimento com aparelhos defasados, em que ultrapassam o limite máximo dos decibéis, além do alto barulho no callcenter, resultado da profusão de vozes no atendimento, que obrigam os trabalhadores a aumentarem o volume do aparelho para ouvir perfeitamente o cliente em linha.

Este é apenas um esboço do que é enfrentado diariamente pelos profissionais do callcenter. Uma atividade, que de acordo com pesquisas, emprega atualmente 700 mil trabalhadores, chegando em breve à marca de um milhão de trabalhadores. São jovens, em sua maioria, entre 18 e 25 anos, que normalmente procuram o primeiro emprego. Por falta de oportunidades no mercado de trabalho, pela pouca idade e inexperiência profissional, são, em muitos casos, conduzidos às centrais de atendimento, permanecendo lá por muitos anos, chegando até a modificar o próprio rumo profissional.

O Livro Reportagem - Linha de frente: os bastidores do telemarketing - retrata o cotidiano desses trabalhadores, trazendo a tona as suas agruras e sofrimentos, por meio dos relatos desses profissionais. É possível transportar-se ao ambiente das centrais de atendimento, sendo aqui, analisado, como uma nova condição operária, sob a ótica do próprio trabalhador, que também vivencia toda a tensão e dificuldade diária dessa atividade.

O trabalhador, adquirido como material produtivo, também adoece, e quando isto ocorre, tem-se a própria integridade questionada, seja pela empresa, ou como ocorre, em muitos casos, pelos próprios colegas que estão ao seu redor, já que confundidos pela ideologia corporativa, legitimam os objetivos do empregador.

No livro, estão reunidos, mais de cinqüenta relatos desses trabalhadores, que somado aos pesquisadores, (sociólogos e historiadores), médicos do trabalho, administradores e advogados, procuram demonstrar a outra face dessa atividade, mascarada pela tecnologia de ponta, por um ambiente de trabalho asséptico e altamente sofisticado, que são apresentados pelas empresas do setor como chamariz aos trabalhadores que ingressam neste tipo de atividade.   

 

 

COMENTÁRIOS


Colaborações deste autor:
Para ver todas as contribuições deste autor, clique aqui.

institucional capão redondo política de privacidade newsletter colunistas contato