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Ironia da Paixão

Por: Marcos Lopes

Ironia da paixão

 

À Bruna, minha amiga.

 

Mais um dia de segunda-feira, o relógio despertou cedo era hora de ir para o trabalho, levantei-me da cama com uma ressaca danada; Domingo enchi a cara com os meus colegas, pois, fomos ao casamento de um amigo de infância. Fui para o banheiro e tomei um banho gostoso, estava animado, mas, não sabia o motivo de tanta animação, afinal, teria que trabalhar. Naquela manhã eu cantei, dancei, gritei, pulei, realmente estranhei meu comportamento. Tudo bem. Penteei os cabelos como nunca havia penteado, até uma fragrância francesa que nunca havia usado antes eu usei e coloquei minha melhor grava, sentei-me para o café da manhã, minha mãe também estranhou meu comportamento e chegou a perguntar se eu havia usado algum tipo de drogas na noite anterior, eu dei risada sozinho, então parei. Fiquei sem graça de repente e logo em seguida uma felicidade inexplicável tomou conta de mim, levantei-me da cadeira, peguei minha pasta, dei um beijo duradouro em minha mãe e sai correndo para o trabalho.

É... Naquele dia eu estava realmente estranho porque ainda era sete horas da manhã e eu entrava as nove no serviço, gastava apenas trinta minutos da minha casa ao escritório. Parei no ponto de ônibus, cumprimentei todos que estavam ali e, logo veio meu ônibus, estava cheio e só restavam dois assento que certamente foram reservados para mim e minha pasta. Sentei-me. Logo o ônibus fizera uma parada, ah! Nunca mais esqueci aquela parada.

Uma bela garota de olhos claros, cabelos longos e loiros, entrara no coletivo, em toda a minha vida eu nunca havia visto alguém tão belo. Meus olhos, inexplicávelmente, fixaram-se naquela escultura humana. Havia um assento ao meu lado e rapidamente tirei a pasta e foi justamente nele que ela sentou, não trocamos uma só palavra, mas, foi inevitável que ficássemos nos olhando. Não acreditei que aquela garota estava olhando pra mim. E assim foi durante algumas semanas...

 

Sempre pegávamos o mesmo ônibus, sentávamos no mesmo banco, mas, descíamos em pontos diferentes e nunca trocamos uma só palavra. Eu sempre levava o número do meu telefone no bolso da camisa, mas, nunca tive coragem de lhe entregar, depois daquela manhã inesquecível meu desempenho no trabalho melhorou, passei a andar mais elegante, vivia sorrindo por qualquer coisa, eu estava apaixonado...

Não sei o por quê, mas, as garotas do meu trabalho passaram a me olhar diferente, me convidavam para coquetéis, festas, até convite para almoçar em suas casas eu recebia. Passei a odiar sábados domingo, e feriados.

Ah! Que maravilha foi aquele tempo. Eu não esquecia aquela garota um só minuto, pensava a todo instante naquele rostinho lindo e meigo, aquele perfume que muitas vezes me levara ao céu e, quando percebia que nunca poderia tê-la, este mesmo cheiro trazia-me o gosto amargo da realidade opressora, aquela roupa social que ela usava, aquele maravilhoso cabelo que o vento soprava em minha face... Que loucura!

Num  belo dia chuvoso, eu bem vestido, como sempre, naquele assento frio do ônibus, com os cabelos bem penteados, o motorista fez uma de suas paradas, era a parada que eu mais gostava, lá vinha ela; com um rebolado sensacional, seus tamancos faziam um som no assoalho do ônibus que parecia acompanhar a batida do meu coração. Ao sentar-se ao meu lado a bolsa dela caiu e eu, rápido e preciso, baixei-me para pegá-la, ao entregar-lhe recebi um belo sorriso de gratidão, aquilo foi demais, eu também arreganhei um belo sorriso e ficamos nos olhando, cheguei a descer um ponto depois do que eu costumava descer só para contemplar um pouco mais a sua beleza.

No dia seguinte ela entrou e sorriu pra mim, meu coração galopou em meu peito, estufei-o e disse:

- Bom dia!

- Bom dia – respondeu ela muito sorridente.

Ai meu Deus! Aquele foi o “bom dia” mais gostoso que eu ouvi em toda minha vida, timidamente puxei conversa, ela muito tímida respondia somente o necessário, perguntei tudo que queria saber ao seu respeito, o melhor de tudo era que ela não tinha namorado, eu era o homem mais feliz do mundo, seria capaz de trocar tudo que conquistei ao longo dos anos por um beijo, ou até mesmo por um simples abraço, mas, tinha que me contentar apenas com a sua presença que, pra mim, já era o suficiente, mas, o suficiente não é e nunca será o bastante. Comentei com minha mãe e ela ficou super feliz por mim. Um certo dia eu resolvi esperar o ônibus até mais tarde para ver se conseguia voltar para casa com ela, mas, foi lamentável, esperei até às vinte horas e nada, fui para casa de táxi.

Numa sexta-feira anotei o número do meu telefone e estava disposto entregar poém, mais uma vez acabei não entregando, ela como sempre, toda simpática me deu um “bom dia” e, em seguida, perguntou o meu nome, eu respondi gaguejando, ela disse o seu sorrindo, criei coragem e pedi o seu telefone, ela fez uma carinha dócil, pôs suas mãos delicadas dentro da bolsa e me entregou um desses cartões de visitas, nossa! Que alegria eu senti naquele momento.

Noutro dia eu ligaria, mas, não sabia o que dizer, fiquei treinando, passei horas e horas andando pra lá e pra cá pensando o que dizer. Diria que estava apaixonado? Não, senão pensaria que estava mentindo, talvez pensaria que se eu estivesse realmente apaixonado já teria dito há muito tempo, deixei para ligar no outro dia e acabei não ligando também, resolvi que iria convidá-la para almoçar, ou quem sabe pegar um cinema, mas, não por telefone queria que ela soubesse o que eu estava sentindo olhando em seus olhos.

Na segunda-feira enchi o peito de coragem e decide que quando ela entrasse no ônibus e se sentasse eu diria tudo a ela, porém, naquele dia o motorista não parou onde ela costumava estar. Havia mais de meses que pegávamos ônibus juntos e ela nunca deu o cano no trabalho, aquele dia não foi tão legal fiquei pensando nela o dia inteiro. Cheguei em casa, corri para o meu quarto, peguei o telefone e liguei para sua casa:

- Alô!

- Quem ta falando –perguntou uma voz tristonha.

- É o Julio, poderia falar com a Paula, por favor?

- Você é o Julio que sempre pega o ônibus com ela –perguntou-me surpresa.

- Sim, senhora, ela está?

A senhora do outro lado da linha calou-se por alguns instantes e, engolindo a seco me disse:

- Julio, minha filha falou muito bem de você, disse-me que é um rapaz bonito, educado e que havia conquistado seu coração, me contou também que estava apaixonada por ti.

- Eu também estou apaixonado por ela –repliquei todo contente –e onde ela está, será que posso falar com ela?

- Não!

- Não, mas, por quê?

- Ela nos deixou... foi para um mundo melhor, sabe, Julio, talvez se você tivesse ligado antes e a convidado para ir ao cinema, ou quem sabe para jantarem juntos, ela não teria saído com as amigas e aquela bala perdida jamais teria atingido a minha filha...

Eu me desesperei. Senti-me culpado. Realmente não sabia o que fazer, não sabia se desligava o telefone ou se consolava a pobre senhora, mas ela com muita experiência de vida me propôs uma coisa que me tirou daquela saia justa:

- Filho, não se culpe pelo que aconteceu e vá se deitar porque eu já me conformei!

Em seguida desligou o telefone  sem me dar direito de respostas, mas, também o que eu poderia dizer se também estava arrasado?

 

Mesmo com o passar do tempo eu não a esqueci, aonde vou penso naquele rostinho lindo, aquele sorriso iluminado, aquele perfume que nunca mais senti o cheiro. Hoje carrego nossos pequenos instantes juntos em meus pensamentos, porque o meu maior sofrimento é tentar fazer a cabeça esquecer aquilo que meu coração lembra a todo instantes...

 

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Marcos Lopes

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