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Quarta - 22 de Novembro de 2017
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Estórias de Assombração

Por: EDSON TALARICO

ESTORIAS DE ASSOMBRAÇÃO

 

 

Um dos versos da minha música “Água Corrente”, vencedora do VI Festival Interno da Canção dos Correios, em 1996, diz:

 

 

            “Na Boca do forno estórias, Anedotas prá contar,

            Cigarro de fumo e palha de milho prá enrolar,

            Café e bolo de chuva, espera o tempo passar.

            Nadando em água corrente, só medo de boitatá...”

 

Escrevi isso, com base em minhas memórias do tempo do olaria. Com 7, 8 anos, mais ou menos, trago na lembrança que, não via a hora de não sei bem de quanto em quanto tempo se queimavam os tijolos.

Quando o tijolo era enfornado, ou seja, emparedado dentro do forno, para ser cozido, os empregados do olaria enchiam as bocas de lenha e punham fogo para que queimassem durante 2 ou 3 dias.

À noite eles se revezavam para cuidar do fogo, mantendo-o sempre aceso, para que os tijolos queimassem por igual.

Enquanto estavam lá, normalmente, as mulheres que ficavam nas casas com as crianças, vinham trazer café e alguma coisa prá eles comerem durante a madrugada.

Nós, a garotada, adoravamos acompanhar esse pessoal que ficava por ali sentado nos troncos, pitando, e contando “causos”. Lógico que rolava de tudo, brincadeiras, piadas, fuxicos, mexericos e estórias de assombração.

Uma vez uma estória, contada pelo Zé Vitorino, o caçambeiro do olaria, aquele que buscava o barro no barreiro e levava até a pipa para ser picado, me marcou demais:

Conta ele que numa noite dessas ele foi vigiar o forno.

Sua Sogra, lá pelas tantas da noite, lhe trouxe o café.

O café vinha em um bulezinho de alumínio com papel de pão enrolado tampando o bico prá não derramar. Num saquinho trazia , também, os bolinhos de chuva que ajudavam a matar a fome e enfrentar a noite.

Dona Ritinha, Era já bem velhinha, cabelos brancos, quase sempre cobertos com l lenço amarrado na nuca. Andava com 1 velho par de chinelos que permitiam a qualquer um perceber sua aproximação, o Zé perguntou:

- “Porque a ‘Arzira’ num veio trazê o café ?”

Ela sempre tentando proteger a filha que não estava nem aí pro marido:

- “ Ah ela tava lá trapaiada cum as criança prá dormi...”

Ela aproveitou prá tornar a pedir:

- “ O Zé, ocê precisa levar a gente prá “Parecida” (Aparecida do Norte – Santuário), prá mim pagar uma promessa...”

- “Quarqué hora a gente vai Dona Rita...”

Passaram-se os dias, meses, a rotina se seguia, os homens se revezavam no forno.

 

Dona Rita, morreu.

 

Nessa noite estava o Zé sentado em um tronco picando fumo para fazer seu cigarrinho de palha, acompanhando com o olhar perdido as fagulhas do fogo crepitante que subiam e sumiam ao se apagar.

A noite não era escura porque a lua permitia dali ver o caminho que descia na frente do forno e depois tomava uma pequena elevação que levava até as casas do pessoal da olaria.

A fumaça do forno caprichosamente parecia seguir o mesmo caminho e só adquirir mais altura no topo da pequena elevação.

Como falavam os antigos já eram horas mortas, ou seja, era mais ou menos meia-noite, de repente o Zé começou a ouvir um barulho estranho: Schlep, schlep, schlep....

Não pode ser... é o barulho de passos... e de chinelo...

Olhou atentamente para o lado das casas, viu l vulto.... Alguém vinha na direção do olaria. O bule de café numa mão. Na outra um pano de prato que embrulhava algo que eles conheciam bem, os famosos bolinhos de chuva....

No começo ele gostou da idéia, afinal vinha em boa hora aquele cafezinho e os bolinhos.

Depois ele se fixou mais na figura. A mulher era bem velhinha. Não era a sua mulher. Os cabelos ele não podia jurar, mas, eram brancos e usava um lenço...

Era a sua sogra....

Viu a mulher chegar ao topo da elevação...

Começou a descer em sua direção, mas, estranhamente, à medida que descia sua cabeça continuava na mesma altura. Parecia que ela subia, ou crescia, junto com a fumaça...

À medida que se aproximava sua imagem ia perdendo a nitidez... até que sumiu por completo....

O Zé se agarrou no cumpadre Taíde...

O cumpadre sem entender nada:

- “Que qui é isso Zé tá mi estranhano...?”

- “Ce num viu o vurto vindo trazê o café Taíde ?

- “ Eu num vi nada, não...”

O Zé tava branco que nem cera.

No final de semana seguinte. Na primeira folga ele juntou a família e foi prá Aparecida do Norte.

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